«Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores. Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o meio morto. Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou também adiante. Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse: ‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’. Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?». O doutor da lei respondeu: «O que teve compaixão dele». Disse-lhe Jesus: «Então vai e faz o mesmo».
Num tempo marcado por relações digitais, em que parece que estamos todos conectados, mas cada vez menos próximos e mais isolados, urge recordar a parábola do Bom Samaritano. Estamos aparentemente próximos e ligados com tantas pessoas e, no entanto, nem sempre são relações verdadeiras e duradouras, mas muitas vezes passageiras e ilusórias. O meu próximo é aquele de quem arrisco aproximar-me. Aquele que, olhos nos olhos, partilha um sorriso ou uma lágrima, a quem dou a mão, um beijo ou um abraço. Precisamos reaprender a estar juntos, a falarmos, a caminhar lado a lado, a brincar, a partilhar sonhos e projetos, vitórias e derrotas, a viver uns com os outros. Precisamos de verdadeiras relações, de amar e ser amados, e não do último modelo do telemóvel nem duma versão mais evoluída do WhatsApp.
Padre Paulo Malícia
