alvez seja impressão minha, mas sinto uma crescente agressividade na forma como comunicamos. Temos certezas e opinião formada sobre tudo; falamos, berramos, às vezes insultamos e, aos poucos, o que devia ser um diálogo construtivo transforma-se num monólogo em que não há espaço para o outro, para pensar e escutar.
Esquecemo-nos de que as palavras constroem ou destroem, são ponte ou barreira e, às vezes, uma palavra dói mais do que uma bofetada. A palavra está a tornar-se uma arma de arremesso e não de encontro, descoberta e partilha.
Talvez por isso seja bom lembrar e refletir nas palavras do Papa Leão XIV:
O primeiro contributo que podemos dar para uma civilização mais humana é prestar atenção às nossas palavras. «Desarmemos as palavras e contribuiremos para desarmar a Terra». O poder das palavras é enorme e experimentamo-lo na comunicação quotidiana, quando alguém nos diz algo que altera o nosso estado de espírito, para melhor ou para pior.
“A paz começa em cada um de nós: na forma como olhamos para os outros, ouvimos os outros, falamos dos outros; e, neste sentido, a forma como comunicamos é de importância fundamental. Todos devemos, portanto, fazer um exame de consciência sobre as palavras que usamos, sobre os preconceitos de que estão impregnadas e sobre a agressividade, patente ou latente, que nelas habita.”
Padre Paulo
